Estância clandestina onde amigos morreram em tirolesa tem como sócio ex-presidente do TCE-MS investigado por corrupção
24/02/2026
(Foto: Reprodução) Polícia investiga se jovens que morreram em fazenda de Bonito sofrerem descarga elétrica
A Estância Walf, onde dois jovens morreram durante a comemoração de um casamento no último fim de semana, em Bonito (MS), tem o ex-presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), Waldir Neves Barbosa, como sócio. Ele já foi investigado por suspeitas de corrupção.
Segundo apuração do g1, a propriedade está registrada no nome da empresa Walf Agropecuária e Empreendimentos Turísticos e Imobiliários Ltda. O empreendimento, com foco para locação, foi aberto em 23 de abril de 2021. Após confirmar que o ex-presidente do TCE-MS era um dos sócios do local, o g1 voltou a procurar a defesa do empreendimento, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
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A empresa tem valor estimado em R$ 4,4 milhões. Conforme o cadastro do CNPJ da empresa, a principal atividade econômica da estância é o aluguel de imóveis próprios. Como atividades secundárias, constam o cultivo de outras plantas de lavoura e a criação de bovinos para corte.
Entretanto, a estância funcionava de forma clandestina. O local não tinha licenças necessárias para funcionamento. Os donos do empreendimento podem responder criminalmente diante da investigação da Polícia Civil.
Acidente e atividade clandestina
Ex-presidente do TCE-MS, Waldir Neves é proprietário da fazenda onde amigos morreram em MS
Reprodução
As mortes ocorreram no domingo (22). O local foi alugado por três dias para uma festa de casamento.
Os bombeiros informaram que, sem o certificado emitido pela corporação, a prefeitura não pode liberar o alvará. Sem esse documento, qualquer evento realizado no local é considerado clandestino.
A Polícia Civil identificou que toda a estrutura da tirolesa, em uma chácara em Bonito (MS), onde os amigos Gustavo Henrique Camargo, de 29 anos, e Pedro Henrique de Jesus, de 20 anos, morreram, era metálica e que no topo da torre havia um sistema de iluminação com fiação antiga e pontos desencapados.
Como foi o acidente
Segundo a Polícia Civil, o acidente ocorreu na área de eventos da estância, onde há uma tirolesa instalada sobre uma lagoa. Gustavo descia pela estrutura quando teria sofrido uma descarga elétrica ao entrar na água.
Ao ver o amigo em dificuldade, Pedro entrou na lagoa para socorrê-lo e também pode ter sido atingido por descarga elétrica. Familiares confirmaram que Gustavo caiu na água após o possível choque e teve dificuldade para sair. A polícia investiga as circunstâncias e aguarda laudos para confirmar a causa das mortes.
Descarga elétrica e estrutura metálica
Equipes da perícia estiveram na chácara, acompanhadas por policiais civis e com apoio técnico da Energisa, concessionária de energia no estado. No local, foram feitas medições e exames preliminares.
A suspeita da polícia é de que essa fiação possa ter energizado toda a estrutura metálica da tirolesa, o que pode explicar o choque elétrico relatado por testemunhas. Uma das vítimas apresentava lesões na pele compatíveis com descarga elétrica, o que reforça essa linha de investigação.
Pedro e Gustavo eram convidados do casamento e moravam em Vicentina e Caarapó, respectivamente.
O que dizem os donos?
Na sequência: Gustavo e Pedro, que faleceram ao sofrerem um acidente durante um casamento em fazenda de MS
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O advogado e amigo dos proprietários da Estância Walf, Luiz Guilherme Pinheiro de Lacerda, afirmou ao g1 que os donos não estavam no local no momento do acidente.
Ele afirmou que a estância é uma propriedade particular, de uso privativo, eventualmente alugada, geralmente para conhecidos dos proprietários. A tirolesa foi construída há quatro anos sobre um açude dentro da propriedade e, segundo ele, não havia registro anterior de problemas.
Sobre a suspeita de descarga elétrica, o advogado informou que a perícia realizou medições no local e que, naquele primeiro momento, não havia ponto energizado.
Ele acrescentou que há refletores próximos à estrutura, mas estavam desligados, pois o acidente ocorreu durante o dia. Informou ainda que a concessionária de energia foi acionada e deve realizar uma verificação.
O advogado não comentou a falta de autorização para funcionamento do local.
Investigação TCE-MS
Waldir foi citado como integrante do esquema de lavagem de dinheiro, fraude e superfaturamento em licitações públicas, em uma investigação da Polícia Federal em 2022, durante a Operação Terceirização de Ouro.
Segundo a PF, o esquema de corrupção começou com a licitação de serviços da empresa Dataeasy, que tem sede no Distrito Federal. Para a PF, a empresa recebeu mais de R$ 100 milhões do TCE-MS em licitações fraudulentas desde 2018.
De acordo com a investigação, as empresas “escolhidas” ganhavam as licitações sem seguir as especificações necessárias, com documentos falsos e em tempo recorde. fraude em licitações
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