Pagar trator com soja? 'Barter’ ganha espaço com juros altos no agronegócio; entenda

  • 20/04/2026
(Foto: Reprodução)
‘Barter’: pagamento em grãos vira alternativa para compra de máquinas agrícolas Em meio a juros elevados, dificuldade de acesso a crédito e incertezas causadas por conflitos geopolíticos, o setor de máquinas e insumos agrícolas tem apostado cada vez mais na operação conhecida como "barter" como uma alternativa para o financiamento tradicional (entenda abaixo como funciona). 🔎A modalidade, que no inglês significa troca ou permuta, permite que o produtor rural adquira insumos, máquinas e implementos usando como pagamento parte da produção futura, geralmente de commodities como soja, milho, trigo e açúcar. Hoje, apesar de o Plano Safra ainda ser a principal fonte de financiamento do campo, estima-se que cerca de 35% a 40% dos negócios no mercado ocorram por esse modelo, segundo o professor José Carlos de Lima, especialista em gestão de negócios e cofundador da Harven Agribusiness School. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp “O barter é uma triangulação onde o produtor compra um insumo que ele precisa e paga com o produto dele. Geralmente é um produto que você consegue fazer travar em bolsa para que seja possível fazer uma gestão de risco, feita por uma trading, que não é apenas o risco da operação é também o risco financeiro”, explica o professor José Carlos de Lima, especialista em gestão de negócios e cofundador da Harven Agribusiness School. Soja pode ser usada como pagamento para máquinas agrícolas na modalidade 'barter' Divulgação Para William Novas, gerente de crédito da Baldan, o 'barter' tem ajudado a destravar negócios. “Nos deparamos com um mercado um pouco mais restritivo no crédito e o barter surgiu como uma alternativa para suprir a demanda em meio aos juros elevados. Vemos um aumento expressivo na operação desde o lançamento e agora, na Agrishow 2026, esperamos um número ainda maior que no ano passado”, diz. Como funciona o 'barter' Na prática, a trading, empresa intermediária, é quem paga a empresa fornecedora em dinheiro e, em troca, recebe do produtor a produção futura, o que permite que cada parte receba na forma que mais lhe interessa, a empresa vende em moeda corrente, e o agricultor paga com a commodity. 1. O produtor escolhe o que precisa comprar: o agricultor define quais insumos, máquinas ou implementos precisa para a próxima safra, como fertilizantes, sementes, tratores ou plantadeiras; 2. A empresa faz a venda normalmente: fabricante ou revendedora fecha a negociação, mas, em vez de receber em grãos, recebe o valor da venda em dinheiro, como em uma operação comercial tradicional; 3. A trading entra como intermediadora: uma instituição especializada assume a intermediação do negócio. Ela converte o valor da compra em uma quantidade equivalente de sacas de soja, milho ou outra commodity e faz a gestão do risco da operação; 4. O pagamento é garantido em grãos no futuro: depois da colheita, o produtor entrega à trading o volume de grãos combinado em contrato. Como o preço e a quantidade costumam ser travados antecipadamente, ele ganha previsibilidade sobre custos e pagamento. Segundo Lima, a lógica reduz a exposição do agricultor às oscilações do crédito e da inflação. “Antes, o produtor ia ao banco, pegava o dinheiro, comprava o insumo e depois precisava vender a produção para voltar ao banco e quitar a dívida. Ele ficava muito exposto à volatilidade do dinheiro, o papel muda de valor em termos de inflação e correção monetária”. Visitantes negociam condições para comprar equipamentos agrícolas na Agrishow em Ribeirão Preto, SP Érico Andrade/g1 Gestão de risco Como a liquidação ocorre na entrega futura da produção, a análise de risco é uma das etapas mais importantes da operação. A trading acompanha fatores como histórico de produtividade, localização da fazenda, risco climático, incidência de doenças e manejo da lavoura. LEIA TAMBÉM Agrishow 2026: veja como acertar o caminho e chegar mais rápido à feira no interior de SP Tecnologia aproxima investidores de empresas com ideias inovadoras no agro no interior de São Paulo Do adubo ao diesel: por que guerra no Oriente Médio preocupa setor de máquinas agrícolas “Dependendo de onde o produtor está, existe mais ou menos risco de chuva, de doença e de produtividade. Essa empresa acompanha todo o processo porque precisa ter segurança de que vai receber o produto. É preciso que alguém vá de tempos em tempos à fazenda para verificar se o fertilizante foi aplicado, se o manejo está correto e se a lavoura está seguindo o esperado.” Outro ponto importante é nem todo produto agrícola pode ser usado no barter. Para funcionar, o produto precisa ser uma commodity com cotação pública e negociação futura, como soja, milho, trigo, café ou açúcar. Isso permite que a trading ou a empresa intermediadora faça o chamado "hedge", uma trava de preço no mercado futuro, protegendo a operação contra oscilações até a colheita. Já em culturas sem referência clara de preço ou com baixa liquidez, o risco aumenta, o que dificulta o uso desse modelo. Empresas oferecem pagamento em grãos como modalidade para compra de máquinas como tratores. Divulgação/Baldan Avanço do 'barter' no Brasil A operação barter no Brasil ganhou força com a expansão do mercado de commodities, principalmente a partir do aumento da demanda chinesa por soja nos anos de 2008 e 2009. “A China começa a comprar em tanto volume que o mercado percebe a necessidade de originar esse produto. A maneira mais fácil foi transformar a soja, ou outro tipo de produção, em moeda dentro dessa cadeia”, explica Lima. Hoje, segundo o professor, uma fatia importante das operações já ocorre por barter. Se antes era mais comum na compra de sementes, fertilizantes e defensivos, agora a modalidade ganha espaço na negociação de máquinas e implementos, especialmente em um cenário de crédito mais restritivo. Para o gerente de crédito da Baldan, a principal vantagem da operação Barter é a previsibilidade financeira. “É um ótimo caminho porque ele sabe o quanto vai vender o grão na data acordada. Ele consegue travar os custos e sabe exatamente quanto poderá pagar em grãos, o que dá segurança.” Veja mais notícias da Agrishow 2026

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/agrishow/noticia/2026/04/20/pagar-trator-com-soja-barter-ganha-espaco-com-juros-altos-no-agronegocio-entenda.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Top 5

top1
1. Don't Let Me Down

The Beatles

top2
2. Epitaph

King Crimson

top3
3. Feeling Good

Nina Simone

top4
4. Somebody To Love

Queen

top5
5. Lady Laura

Roberto Carlos

Anunciantes